Centralidade de Cristo - O meio do jardim

                       CENTRALIDADE DE CRISTO – O MEIO DO JARDIM

 

“E o Senhor Deus fez brotar da terra toda espécie de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal(Gn 2:9)

“Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele nem nele tocareis, para que não morrais” (Gn 3:3)

     É possível que duas árvores estejam geograficamente exatamente no mesmo lugar, no meio de um jardim? Sabemos que não. Não existem “dois meios” em um único lugar. O meio é, de fato, um único lugar; um milésimo de milímetro ao lado, já não seria o meio.

     O centro é o lugar mais importante; centro fala de primazia. Por exemplo: O antropocentrismo coloca o homem no centro do universo, postulando que tudo o que existe foi concebido e desenvolvido para a satisfação humana; já nós, cristãos, colocamos Deus, na pessoa do Seu glorioso Filho, e não o homem, no centro do universo, no centro de tudo. Centro pode ser explicado como o ponto ou o tema principal de uma questão. O fato da árvore da vida estar no centro do jardim no Éden nos fala exatamente isso: Ela é a primazia do jardim, é o ponto mais importante, é o lugar para onde devemos olhar antes de tudo. Sabemos que Cristo é esta Árvore da Vida. Adão e sua mulher foram concebidos como alma vivente com o objetivo de se alimentar de Deus. Deus, na pessoa do Seu Filho, tipificado pela árvore, deveria ser o centro da vida de Adão, seu alimento, sua orientação, seu alvo.

     Há, claro, outras árvores agradáveis à vista e que o casal também poderia comer. Estas outras árvores representam todas as coisas lícitas que fazem realmente parte da nossa vida, e que nos é permitido comer. O problema nunca é comer ou não comer (falo de coisas lícitas); e sim, o que está no centro da nossa vida. Se buscarmos o reino dos céus antes de tudo, todas as coisas nos serão acrescentadas; porém, se buscarmos as coisas antes do reino dos céus, mesmo as lícitas, além de não acharmos estas coisas, ainda perderemos este reino. Simples assim!

     Havia, no entanto, uma única árvore proibida: A árvore do conhecimento do bem e do mal. Ela não estava no centro do jardim. Esta árvore representa a vontade humana em ter os nossos olhos abertos pelo autoconhecimento, pela busca de entendimento humano, pela vontade em se autogovernar. Esta é a árvore da independência. É agradável e desejável aos olhos, mas simplesmente gera a morte. Esta árvore coloca o homem e não Cristo no centro de tudo. O mais perigoso é que o seu fruto se manifesta através de coisas “boas” também. Seu fruto não é só o mal, mas igualmente, o bem.

     O homem e a mulher não foram criados desprovidos de vontade, emoção e sentimento. Foram feitos alma vivente, dotados destes atributos, porém eram governados pelo Espírito de Deus, soprado dentro deles. O Espírito de Deus os conduziria ao cumprimento do propósito para o qual foram criados. O Espírito governava a sua alma. Não há problemas em ter vontades, emoções e sentimentos, desde que estas estejam submetidas ao Espírito do Senhor que habita em nós; quanto mais formos cheios do Espírito, mais seremos governados por Ele.

     Vemos que assim que a mulher foi questionada pela serpente, sobre os planos de Deus, ela demonstrou ter “mudado a geografia do jardim”, ou seja, colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal, e não a árvore da vida, no centro do jardim. Ela já via o jardim de forma diferente de Deus. Pode parecer surreal, mas o desejo da independência já havia entrado nela, embora ainda não houvesse pecado. “Cada um, porém, é tentado quando a tentação o atrai e pelo seu próprio mau desejo. Depois havendo esse desejo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14-15).

     Todos aqueles que tiram Jesus do centro da sua vida, sofrerão as mais duras tentações do inimigo. De fato, se temos Ele como o centro da nossa vida; se entendemos que sem Ele não somos absolutamente nada e que Ele é de fato o que mais nos importa e por quem vivemos; nem mesmo a tentação poderá vir sobre nós. A tentação é atraída pelos nossos maus desejos. No nosso jardim, Cristo é o centro, e é por Ele que vivemos e existimos.

     Entendendo isso, podemos ver o porquê tantos no meio da igreja vivem uma vida de verdadeiros altos e baixos. São tentados, vencem algumas pouquíssimas vezes, mas perdem a maioria. Na verdade, já mudaram a geografia do jardim há muito tempo nos seus corações. Quando o olham, já não veem Cristo no centro de tudo e sim suas vontades, seus desejos. Podem até “gostar dele” ou pensar saber que Ele é importante, mas O colocam em segundo plano. O desejo da independência está no centro de suas vidas. Para estes, a queda, é só uma questão de tempo.

Pr Marcos Reis