Os sinais do Reino - Conhecimento e prática

                OS SINAIS DO REINO – Conhecimento, revelação e prática  

"Levantou-se certo mestre da lei, querendo por Jesus em provas, perguntando-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Jesus lhe respondeu: O que está escrito na Lei, como interpretas”?  (Lc 10:25-26)

     Jesus nunca teve problema com os pecadores. Salvava-os, curava-os, perdoava-os e deixava claro, que depois desse encontro com Ele, havia a necessidade de mudança de vida e compromisso. Jesus odeia o pecado, e o pecador está sim, debaixo da ira de Deus. Por Deus amar o mundo, seu Filho Jesus é a solução para o pecado do homem. Jesus é a única solução para o pecador, fora dela não há salvação. Ele veio para salvar e resgatar o que havia se perdido. Por incrível que possa parecer, o problema de Jesus também não foi com os romanos, que governavam o mundo, e consequentemente, Israel, na época.  O próprio Pilatos (e isso não o isenta de culpa) lavou as mãos e declarou não ver nele mal algum. Os únicos que se levantavam contra a mensagem do reino de Deus foram os religiosos. Estes, estavam a todo o instante, querendo algo para o acusar.

     Igualmente, hoje, temos que ter cuidado contra quem nos levantamos para lutar. Nossa luta, é claro, não é contra pessoas, mas principados e potestades que operam nas regiões celestiais (Ef 6:12); e esses principados e potestades, muitas vezes, agem travestidos de um espírito religioso que se opõe a tudo que é relativo ao reino dos céus. Podem ter aparência de piedade, mas negam o Senhor com suas ações (II Tm 3:5). O apóstolo Paulo, nos adverte a se afastar destes.

     Este mestre da Lei pergunta a Jesus, não com um coração puro e sincero que busca crescimento, mas, querendo o provar; o que deveria fazer para ter a vida eterna. Jesus, que sempre conhece o coração daquele que vem até Ele, devolve a pergunta ao mestre da Lei, indagando-o, sobre o que estava escrito na Lei e como este a interpretava. Um mestre não é o que conhece a letra somente, mas aquele que entende o que a letra quer dizer. Um mestre necessita ter conhecimento e revelação. Aquele homem passa no primeiro teste: sabia, obviamente, o que estava escrito e fez uma interpretação absolutamente correta das Escrituras no VT. Toda a Lei e os Profetas (VT) se resumem nisso; sua resposta foi: “Amarás ao Senhor, o teu Deus, de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10:27). Exatamente as mesmas palavras do próprio Jesus em Mt 22:37 e do apóstolo Paulo em Gl 5:14 (Paulo enfatiza o próximo na sua epístola). Impressionante! Todos nós, sem dúvida, diríamos, se o conhecêssemos, que estávamos diante de um homem de Deus cheio de conhecimento e revelação. O problema é que podemos ter conhecimento e revelação, e mesmo assim, não ter vida eterna em nós. A vida de Deus, eterna, só é possível, quando o conhecimento e as revelações se transformam em prática: “Respondeste bem: FAZE ISTO e viverás" (Lc 10:28). Não fomos chamados para conhecer e saber interpretar, mas fundamentalmente para uma vida prática guiada pelo Espírito. É o fazer, é a prática, que manifestará a vida em nós e através de nós. Literalmente, a fé sem obras, é morta em si mesmo, como diz Tiago.

     O ambiente religioso só pode produzir conhecimento sem prática. Imediatamente, o mestre, tenta se justificar, porque, só se justifica, aquele que não faz. No reino dos céus, não existe justificativa, existe quebrantamento e obediência.  A justificativa é a arma mais usada do religioso. Sabemos que o texto vai se desenrolar, com o exemplo do sacerdote e levita, símbolos máximos da religião de Jerusalém, cheios de conhecimento e entendimento, que, não serviram de absolutamente nada, quando se viram diante de um necessitado, que havia sido assaltado e machucado. O ladrão, que sabemos que é o diabo, não vem para outra coisa, senão, matar, roubar e destruir; Jesus, no entanto, vem para nos dar vida e vida em abundância (Jo 10:10). “Faze isso e viverá”.  A religião não pode salvar. Na religião, sempre estaremos longe dos necessitados. Somente um cidadão do reino de Deus, independente da sua forma aparente, olha para o necessitado e o acolhe.

     A religiosidade não é a amiga do Senhor e seus propósitos. Que o Senhor possa nos usar como cidadãos do seu reino. Deus nos abençoe!

Pr Marcos Reis