Novo Céu e Nova Terra - Não Temas o Tirano

NOVO CÉU E NOVA TERRA - NÃO TEMAS O TIRANO

      Estrangeiros e peregrinos (Hb 11:13), é o que somos. Nossa origem e destino é Sião (Sl 87:5-7). Essa era presente é o deserto que, uma vez compreendida essa realidade, será atravessado em festa (Ex 5:1). Viver e tratar essa era presente como passageira (I Co 7:29-31) é a chave para desfrutar a viagem. Não nos lembramos da nossa pátria de origem (Hb 11:15), celestial, estamos na terra do esquecimento (Sl 88:12) e aos poucos, na caminhada, o Espírito vai nos lembrando (Rm 8:16) de quem somos e para quem vamos. Esse processo faz com que a cada dia, esse mundo se torne menos atraente. No nosso espírito, estamos em Sião, já chegamos (Hb 12:22), reinamos em vida com Ele (Rm 5:17). Já somos regenerados, ressuscitados no espírito, e já estamos assentados com Ele nas regiões celestiais (Ef 2:6). Por isso, gememos para que nosso corpo encontre, igualmente, essa plenitude (Rm 8:23, II Co 5:1-2). É a salvação de “todo o nosso ser” que Pedro fala na sua epístola (I Pe 1:9). Os que dormem em Cristo estão vivos diante Dele, no Jardim de Deus, no Paraíso, como enfatiza o apóstolo Paulo em sua carta: “que morreu por nós para que, quer vivamos ou durmamos, VIVAMOS em união com Ele” (I Ts 5:10) ou ainda o próprio Jesus: “Deus não é Deus de mortos, para Deus, todos vivem” (Lc 20:38). Essa é a Nova terra já criada, já desfrutada, nessa dimensão. Reinamos com Cristo, como sacerdotes de Deus, nesse “Dia” do repouso. Os que dormem, reinam completamente; os que ainda estão aqui, que creram realmente e já entraram nesse descanso, reinam no espírito. Suportamos, ainda um pouco mais, a luta constante contra o pecado e o mundo, o espírito contra a carne (Rm 7:22-24) pois sabemos que nossa Cidade está nos céus; nossa pátria não é a terrena e temporária, mas celestial e eterna! (Fl 3:20-21).

     O santo Corpo de Cristo chamado, “a igreja dos primogênitos inscritos nos céus” (Hb 12:23) já é uma realidade em construção desde Abel (Hb 11:4), todos os nossos irmãos que já dormem com Cristo, ainda não estão totalmente aperfeiçoados porque aguardam as últimas pedras vivas se juntarem a essa grande Cidade nos céus (Hb 11:16,39-40). As pedras vivas tiradas dessa pedreira chamada terra estão sendo, silenciosamente, inseridas nessa construção celestial e eterna. João viu essa construção pronta, perfeita, linda, sobre um Alto Monte (Ap 21:1-4, 9-10)! A Grande Cidade, A Esposa do Cordeiro! Se, uma vez chamados, seremos ou não parte dessa realidade, caberá muito mais a nós do que ao Senhor, desde que, chamados a subir, não venhamos a rejeitar participar dessa caminhada, por termos nos apaixonados por essa era passageira. Isso seria uma tragédia! Já saímos do Egito, mas como encarar esse deserto é que vai ou não nos habilitar a entrar na terra prometida. Como foi na figura, assim é na realidade

     A bíblia nos chama de “exilados e cativos” exatamente para enfatizar a obra de resgate do nosso Senhor. A única coisa que ainda impede a ira de Deus ser derramada totalmente nesse mundo caído é a presença aqui de filhos cativos nesse exílio. Estes “céus e terra que agora existem estão reservados para o fogo do Dia do juízo e destruição dos homens ímpios” (II Pe 3:7). É por causa do amor de Deus por seus filhos, alguns destes ainda teimosos e desobedientes à Sua vontade, que a misericórdia triunfa sobre o juízo: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada, pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (II Pe 3:9).

     Engana-se quem pensa que satanás reina. Seu reino foi tomado na cruz e na ressurreição. Cristo pisou a cabeça da serpente cumprindo a profecia de Gn 3:15: “Porei inimizade entre ti (serpente) e a mulher, entre a tua descendência (descendência da serpente) e o seu descendente (Cristo). Este (Cristo) te ferirá a cabeça e tu (serpente) lhe ferirás o calcanhar”. Estamos nesse mundo que jaz no Maligno, um mundo que é como uma sepultura, e o maligno não tem poder nenhum de impedir a obra de Deus. Cristo conquistou legalmente toda autoridade para saquear os “bens do valente”, e amarrá-lo com seu poder limitado (Ap 9:11), embora seu veneno ainda aja naqueles que não comeram e beberam de Cristo. Sua única obra é seduzir e tentar os homens a permanecerem presos, juntamente com ele, enfeitando o máximo a sepultura, tentando fazer atraente, o lugar de morte. Os que saem, “pois a Ele, fora do arraial, levando o seu vitupério, pois compreendem não ser aqui nossa cidade permanente, buscando a que há de vir” (Hb 13:13-14), são livres para reinar com Ele em um Novo Céu e uma Nova terra.

     O Senhor não perdeu nenhum controle sobre nenhuma situação. Não devemos temer o “opróbio dos homens, nem turbar o nosso coração por causa das suas injúrias, porque a traça os roerá como um vestido, e o bicho os comerá como a lã” (Is 51:7); não devemos “nos esquecer do Senhor que nos criou, que estendeu os céus e fundou a terra e temer o dia do furor do tirano, que se prepara para destruir” (Is 51:13). A questão aqui é que muitos estão esperando o Senhor consertar a sepultura ao invés de entender que precisam sair de lá. O Senhor não impede o aparente sucesso dos tiranos em sua própria sepultura, ao contrário, quer que entremos em Seu Tabernáculo para entender verdadeiramente, nossa origem e destino e, igualmente, o fim deles: “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio. Não partilham da canseira dos mortais, nem são afligidos como os outros homens… Até que entrei no tabernáculo e entendi o fim deles” (Sl 73:3-5,15). Somos perfeitos e livres na nossa origem, em Sião. As cadeias, aflições e dores que recebemos, são todas, sem exceção, adquiridas no exílio, no cativeiro de aflição da terra estranha: “Sua descendência será peregrina em terra estranha e ali será reduzida à escravidão por quatrocentos anos” (Gn 15:13). Voltar para casa é a garantia de sermos totalmente curados. Primeiro no espírito e então, em Sua Gloriosa Volta, totalmente. Não deveríamos ter dúvida de que o Senhor nunca prometeu nos livrar da aflição na terra estranha, mas que tornarão para cá quando a medida dos amorreus se encher” (Gn 15:16). Ele já nos tem convidado a subir de forma imediata e definitiva, e assim experimentar o poder do Seu Reino, Novo Céu e Nova terra, em nós.

Pr Marcos Reis


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