Rute Redenção e Reino -O Certo e a Vontade de Deus

                  RUTE REDENÇÃO E REINO – O CERTO E A VONTADE DE DEUS

“Nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra, e um homem de Belém de Judá, saiu para habitar no país de Moabe, ele, sua mulher e seus dois filhos. (Rt 1:1)

“Obede gerou Jessé, e Jessé gerou Davi” (Rt 4:22)

     O tempo de juízes, sem dúvida, foi um dos tempos mais terríveis que a nação de Israel já viveu. Um período de tremendos altos e baixos dada a rebelião e desobediência do povo. O livro de Rute se dá exatamente num desses períodos de “baixa”.

     Belém, que significa, Casa do Pão, não tinha alimento e, então, essa família decidiu sair da terra que o Senhor havia dado ao seu povo como herança em busca de alimento. O casamento de Elimeleque e Noemi é uma figura profética do casamento do Senhor Deus e a nação de Israel. Elimeleque, que quer dizer, “Meu Deus é rei” e Noemi, que se traduz como “Meu prazer” se separariam mais tarde; os seus dois filhos, Malom e Quilom, figuras dos reinos de Judá e Israel, os reinos do Sul e do Norte, seriam levados cativos pelos impérios assírios e babilônicos. Noemi ficaria sozinha com suas duas noras. Sabemos, que Israel, não quis que Deus reinasse sobre eles, preferindo governar a si próprio com o seu bom senso, assim como as demais nações. O livro de juízes termina com a expressão: “Naquele tempo não havia rei em Israel, cada um fazia o que parecia certo aos seus olhos” (Jz 21:25). O que nos chama à atenção, é que mesmo querendo fazer o certo, existem seis expressões no livro de juízes que diz: “Fizeram o que era mal aos olhos do Senhor” (Jz 2:11; 3:7; 4:1; 6:1; 10:6 e 13:1). A vontade de acertar não foi suficiente. O bem que queriam fazer, não fizeram, mas o mal, este sim, praticaram. Paulo explicaria isso mais à frente:“Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, este faço” (Rm 7:18-19).

     Este é o cenário de uma vida governada pelo bom senso e vontade humana. Querem fazer o bem, e só conseguem entregar o mal. Uma vida sem reino, sem o governo do Senhor, só pode nos levar à fome, mesmo que tenhamos promessas. Israel rejeitou o reino de Deus: “E o Senhor lhe disse: Ouve a voz do povo em tudo o que te dizem, pois não rejeitam a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles” (I Sm 8:7). Oséias, um profeta que usa a figura do casamento de Israel com Deus, diz: “Onde está agora o teu rei para que te guarde todas as tuas cidades? Onde estão os teus juízes, dois quais disseste: Dá-me príncipes? Dei-te um rei na minha ira e tirei-o no meu furor” (Os 13:10-11). A morte de Elimeleque é a ruptura do reino para Israel como nação: “Portanto, eu vos digo que o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produza os seus frutos” (Mt 21:43). Há um real perigo de se perder o Reino, quando optamos em viver uma vida sem o governo do rei, uma vida governada por nós mesmos. O Pai, definitivamente não nos chamou para “fazer o certo”, mas para sermos sim, governados por Ele.

     Se o livro começa com esse cenário; ele termina com a geração de um homem chamado Davi, que seria depois chamado de “homem segundo o coração de Deus”. Através de um novo casamento, Rute e Boaz, que são em figura, Cristo e sua igreja madura, um novo homem está sendo gerado. Um homem que não pautará a sua vida em fazer o bem, mas em fazer a vontade de Deus.

     Há uma grande diferença do reino de Davi para os reinos anteriores, como Saul, por exemplo. Saul, é aquele que mata o vil e desprezível, mas quer guardar o “seu melhor” para oferecer a Deus; já Davi sabe que não há nada nele que possa satisfazer o Pai, a não ser a própria vida de Deus dentro de si. “Quem sou eu para oferecer algo ao Senhor. Tudo vem de ti e devolvemos a ti o que de ti recebemos” (I Cr 29:14).

     Essa nova união, será a restauração de tudo. Cristo e Sua esposa, gerando um Novo Homem da Nova Criação, e também sendo instrumento para a restauração de Noemi, que já nem se permite chamar de “Meu prazer”, mas se autodenomina “Mara” que quer dizer amarga. A igreja santa e pura, trará a revelação da glória do Messias para Israel. “Digo, porém, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação dos gentios, para provocar ciúmes neles” (Rm 11:11).

     O que é gerado através do relacionamento de Boaz e Rute, não pode ser gerado pelo bom senso, nem boa vontade; mas pela vida dele em nós. Não se trata de estratégias, mas de termos o Seu Espírito em medida plena em nós. O nosso Boaz é o nosso Remidor, Cristo Jesus, que está voltando para manifestar o casamento com sua Igreja diante de todas as nações desta terra.

     Como isso irá acontecer? Da mesma forma que Maria não sabia como seria, quando o anjo se apresentou a ela; assim também à igreja não é dada estratégias em se esforçar com seu braço, mas, somente o que a Palavra que diz: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1:34-35). Uma vida de intimidade com o Espírito Santo é o segredo daquela que é escolhida para a restauração de tudo.

Pr Marcos Reis