O Politicamente Correto e a Igreja – Julgamento

                  O POLITICAMENTE CORRETO E A IGREJA  – JULGAMENTO

"Pois como haveria eu de julgar os que estão de fora? Todavia, não deveria vós julgar os que são de dentro?”  (I Co 5:12)

     Estamos vivendo um tempo no mundo que talvez nunca tenhamos vivido: A relativização da verdade. Nós presenciamos, a cada dia, verdades que outrora eram absolutas, sendo relegadas à conveniência e ponto de vista do homem. O certo não é visto mais como simplesmente o certo; agora, depende da forma que a sociedade decide ver, da cultura, da opção do homem no exercício de sua tão sonhada liberdade. É o que chamamos de “politicamente correto”. O problema dessa expressão não é a palavra correto, mas precisamente, a palavra “politicamente”. Essa expressão remete à aceitação do que é conveniente e não mais do que é correto. 

     Vivemos num mundo que não aceita mais a repreensão. A aceitação do “não” é simplesmente algo que caminha para a extinção. Ninguém mais pode ser contrariado! Filhos, alunos, funcionários, ovelhas, etc. A vontade do homem não pode ser contrariada, independente das leis morais que nos cercam. Talvez a única época que o mundo viveu essa atmosfera foram os dias da torre de Babel: “Disse o Senhor: O povo é um e todos têm uma só língua. Começam a construir a torre, agora não haverá restrição para tudo o que eles quiserem fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda, mais um ao outro” (Gn 11:6-7). O homem ali havia chegado ao limite de poder fazer absolutamente tudo o que queria. O seu limite era exatamente não ter limites. Deus interviu! Não deve existir a menor dúvida: Deus, igualmente, intervirá! O ciclo se repete de uma forma clara e absoluta.

     É com atenção que vemos esse “espírito” entrar na igreja do Senhor, que a cada dia tem aceitado mais o conveniente, tolerando os desvios, sempre fugindo do confronto que a repreensão traz em si mesmo. Tudo isso, debaixo da “bandeira da paz”. No que diz respeito a nós, Igreja do Senhor, há algo extremamente mal interpretado: A famosa frase bíblica proferida pelo próprio Jesus: “Não julgueis para que não sejais julgados” (Mt 7:1). Ao mesmo tempo, vemos o apóstolo Paulo, dizer que devemos exercer julgamento sobre nós mesmos, como Igreja do Senhor. Então, como conciliar estas duas verdades, igualmente bíblicas?

     Analisando as palavras do nosso Senhor Jesus, vemos de uma maneira clara, que o Senhor nos adverte precisamente a não julgarmos o nosso irmão. O juízo, e juízo aqui precisa ser entendido como declarar a sentença final, é em relação ao irmão, e realmente não pode ser proferido por nós: “Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, mas não percebes a trave que está no seu” (Mt 7:3). O foco da mensagem não é: Deixe o seu irmão com o cisco no olho! Jesus não disse isso! Mas completou: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão (Mt 7:5). O foco aqui não é deixar de fazer a correção, ao contrário, é nos ensinar a não tentar estabelecer um juízo que não leve a um concerto, ou ainda, uma correção hipócrita, que julga aquilo em que você mesmo é condenado. Jesus orientou a deixar o cisco no olho do irmão, ou nos ensina a tirar de maneira correta?

     O “politicamente correto” diria hoje o que Jesus nunca disse: “Não julgue, deixe o irmão com o cisco no olho, afinal, você tem uma trave no seu”. Tudo em nome de uma conveniência de uma vida sem confronto e consequentemente sem mudança. Não tenho dúvidas, que isso é um dos motivos de vermos o que estamos vendo atualmente no seio da igreja de Cristo. Extrema tolerância que, pela palavra de Deus, não é algo que o Senhor espera de nós: “Conheço as tuas obras, o teu amor, o teu serviço, a tua fé e a tua perseverança, sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Tenho, porém, contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza. Com o seu ensino, ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos” (Ap 2:19-20). Por que Tiatira tolerava um falso ensino na igreja? Por que não se levantaram homens de Deus e confrontaram a forma com que o povo de Deus estava sendo envenenado? Quem sabe, por entenderem mal a mensagem de Jesus, no tocante ao julgamento, não confrontaram. Já que tinham uma vida elogiada por Cristo, sem traves nos seus olhos, deveriam SIM, tirar o cisco do olho do irmão! Foram negligentes e reprovados nisso!

     Jesus nunca julgou um perdido. Amava-o, sempre, antes de qualquer atitude que reprovasse seu estilo de vida, porém, nenhum deles se manteve em pecado, depois de encontrar-se com o Senhor. Ao contrário, o tempo inteiro, julgava a falsa religiosidade do povo hipócrita que condenava o povo por um cisco no olho, sem tirar a trave de si próprio. Julgou os religiosos, julgou a religião do templo; com um chicote, demonstrou toda a sua insatisfação, denunciando que haviam transformado aquilo que deveria ser Casa de Oração em covil de ladrões. Nunca foi tolerante quanto ao desalinhamento da Sua Casa. Não tenha dúvidas: Ele nos chama a ter uma vida digna diante dele, para que possamos, trabalhar na edificação de Sua igreja no caminho da maturidade. 

Pr Marcos Reis